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14/03/2019 14:45 | Autor: Editor

Sergio Moro defende que crimes comuns permaneçam sob a alçada da Justiça Federal

O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sergio Moro, defendeu ontem que crimes comuns, quando investigados em conexão com delitos eleitorais, permaneçam sob a alçada da Justiça Federal.



PGR pede ao Supremo para dividir os processos.



A declaração ocorre no dia em que o Supremo Tribunal Federal inicia um julgamento que pode decidir se casos de corrupção e lavagem de dinheiro, se relacionados a crimes eleitorais (como caixa 2), devem ou não ser enviados à Justiça Eleitoral.
Moro declarou que "a Justiça Eleitoral, embora tenha excelentes condições e faça um trabalho excelente na organização das eleições e na solução de questões eleitorais, não está bem estruturada para julgar crimes mais complexos, como lavagem de dinheiro e crime de corrupção.: então o ideal é que haja uma separação".
Moro ressaltou que a posição do ministério da Justiça pela separação dos casos "já foi externada publicamente", mas disse esperar "respeitosamente que o Supremo profira a melhor decisão."
O julgamento de ontem foi considerado pela Procuradoria-Geral da República tão importante quanto a manutenção da prisão de condenados em segunda instância.
Levantamento preliminar indica que não houve, na Justiça Eleitoral, condenados por corrupção nos últimos anos.
A PGR pede ao Supremo para dividir os processos, enviando para a Justiça Federal os crimes comuns e para a Eleitoral os de caixa dois.
Até agora, porém, o STF tem remetido tudo para as varas eleitorais -o que, para procuradores, pode gerar impunidade.
Ontem, o jornal Folha de S.Paulo revelou que os tribunais eleitorais têm deixado em segundo plano ações relativas a caixa dois delatadas na Lava Jato.
O envio de processos para o âmbito eleitoral tem sido uma demanda de políticos, em uma série de casos ligados à operação.
Além de ser sobrecarregada com prazos e demandas relativos às eleições, a Justiça Eleitoral é considerada por advogados dos réus como atrativa para punições mais brandas.