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12/07/2017 09:14 | Autor: Editor
Fonte: Bem Paraná / CGN

Richa quer que PSDB declare 'independência' de Temer

A decisão da saída ou não do governo deve ser divulgada no mês de agosto...

O governador (PSDB) defendeu ontem que o PSDB declare sua “independência” em relação ao governo do presidente Michel Temer (PMDB). E previu que a maioria dos deputados tucanos da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara Federal vai votar pela admissibilidade da denúncia da Procuradoria-Geral da República que acusa o presidente de corrupção passiva com base na delação da JBS.

Richa deu as declarações um dia depois de participar, na segunda-feira à noite, de reunião da cúpula da legenda em São Paulo para discutir se os tucanos devem ou não deixar o governo diante do agravamento da crise política. A reunião terminou sem uma definição. A direção partidária decidiu apenas liberar os deputados da sigla a votarem a aceitação da denúncia na Câmara de acordo com suas consciências, sem fechar uma questão sobre o assunto. E deixou para agosto a definição sobre “desembarcar” ou não do governo, entregando os cargos que mantém na administração Temer.
O próprio governador paranaense admitiu a falta de consenso na legenda sobre o que fazer, afirmando que o partido “saiu como entrou da reunião” e não teria decidido nada concreto em relação ao desembarque ou permanência na base do governo Michel Temer.”Eu sugeri que se convocasse a Executiva para que uma posição fosse tomada”, disse Richa.
“O que eu defendi ontem (segunda-feira) e alguns até se surpreenderam na reunião das lideranças do PSDB, foi a independência do partido. Isso é algo que já ocorre na prática”, afirmou Richa. “É só ver o que está acontecendo na CCJ (da Câmara). Muitos partidos promoveram a troca dos seus representantes que não estavam comungando da direção dos partidos em favor ou em defesa do presidente da República. E o PSDB não. Os deputados estão com total independência para votar de acordo com a sua consciência”, garantiu. “E a grande maioria dos deputados do PSDB são a favor da admissibilidade desse processo. A expectativa é que dê seis votos a um, ou no máximo cinco votos a dois a favor da admissibilidade”, previu.
Na avaliação do paranaense, “na prática” o partido está agindo de forma independente nesse processo. “Nós fomos o único partido da base que não trocou nenhum membro da CCJ”. Para Richa, a proporção de votos pela admissibilidade da denúncia contra Temer deve se repetir no plenário da Câmara. “É inegável que o número de descontentes com o governo aumentou. E a situação do governo deteriorou-se”, declara.
O governador repetiu o discurso de que o compromisso do PSDB seria com a retomada do crescimento e com a aprovação das reformas - e não com a manutenção do governo. Sobre a postura do PSDB caso o presidente seja atingido por novas denúncias, Richa preferiu não se antecipar. “O importante é que a gente mantenha a linha de independência”, alegou.
Cargos - Questionado sobre se o PSDB deve entregar os cargos que possui no primeiro escalão do governo , o governador desconversou, alegando que as nomeações foram uma escolha pessoal do presidente e não uma indicação do partido. “O PSDB não está atrás de cargos. Se vocês se recordarem lá atrás que nós não estávamos atrás de cargos, não indicaríamos ninguém ao presidente da República para compor seu ministério”, argumentou. “O PSDB se achou na responsabilidade de garantir a governabilidade e propostas em projetos e reformas que julgamos fundamentais para o Brasil. E foi o que aconteceu. O presidente ficou à vontade para escolher dentro dos quadros de pessoas qualificadas que tem o PSDB aqueles que entendesse que pudessem contribuir”, explicou Richa.

“Desembarque” é questão de tempo

Apesar de não ter tomado uma posição definitiva, a cúpula nacional do PSDB saiu da reunião em São Paulo, no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, na noite de segunda-feira, admitindo que o “desembarque” do governo Temer é só uma questão de tempo. O presidente interino da sigla, senador Tasso Jereissati (CE), admitiu, que o partido está desembarcando do governo “independentemente” de sua vontade. “O que eu tenho dito não é consenso, mas o que tenho visto é que o partido está desembarcando independentemente do meu controle e da minha vontade”, afirmou o senador .

Segundo ele, o partido não poderia definir uma posição ontem porque não era uma reunião da Executiva. Durante o jantar, Tasso disse que o partido vai desembarcar “naturalmente”. Segundo relatos dos participantes, Alckmin concordou que está chegando a hora de os quatro ministros tucanos saírem. Também acompanharam este entendimento o senador Cássio Cunha Lima (PB), o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e o governador do Paraná, Beto Richa.