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04/07/2017 09:14 | Autor: Editor
Fonte: G1

Cooperativas dos Campos Gerais do Paraná driblam crise econômica e mantêm crescimento

Foto:Cooperativas dos Campos Gerais registram aumento no faturamento, mesmo com crise econômica (Foto: Divulgação/Frísia)
Na cooperativa mais antiga do estado, o faturamento foi 21% maior de 2015 para 2016.

As cooperativas do Paraná, especialmente as que ficam nos Campos Gerais, têm driblado a crise econômica. Enquanto empresas param de investir e demitem funcionários, as cooperativas paranaenses apostam em investimentos com retorno garantido e em mais contratações.

O retorno fica evidente no crescimento anual. Segundo dados da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), em 2015, o faturamento total das 221 cooperativas foi de R$ 60,3 bilhões. No ano seguinte, o valor subiu para R$ 70,3 bilhões.

Os números de cooperados, de colaboradores, de exportações e de postos de trabalhos gerados também aumentaram.

O cenário positivo se repete nas 10 cooperativas dos Campos Gerais, região do Paraná que abriga uma das maiores bacias leiteiras do país e que bate, constantemente, recordes na produção de grãos. De 2015 para 2016, o faturamento aumentou de R$ 6 bilhões para R$ 7,3 bilhões.

Já os números de cooperados e de colaboradores cresceram 7% e 9% respectivamente. "Não é sorte. É consistência, planejamento a longo prazo, investimento. Ninguém está imune à crise, nós também sentimos os reflexos dela", explica o presidente da Ocepar, José Roberto Ricken.
A fórmula do sucesso

A Frísia Cooperativa Agroindustrial, com sede em Carambeí, nos Campos Gerais, é uma das que registrou alta no faturamento entre 2015 e 2016: o crescimento foi de 21%. Houve também saldo positivo em outros indicativos.

Fundada em 1925, a Frísia é a cooperativa mais antiga do estado. O foco está na produção de grãos, como soja, milho e trigo, carne e leite. De acordo com o superintendente da cooperativa, Emerson Moura, o crescimento foi devido a uma soma de fatores.

"Nós trabalhamos muito forte uma gestão com foco onde poderíamos reduzir custos e também com foco onde poderíamos investir com um retorno certo para os nossos cooperados", explica o superintendente.

Para este ano, ele diz que há uma expectativa de crescimento, porém, um pouco menor por conta de influências externas. "Mas a gente vai continuar crescendo, temos um otimismo interno. Temos que continuar crescendo porque a agropecuária é um mercado essencial ao país", acredita.

Para o presidente da Ocepar, a Frísia é um exemplo de cooperativa que deu certo no Paraná. "O modelo de hoje tem muito a ver com o que foi colocado lá no século XIX. É um exemplo de organização, de profissionalismo. Eles investem na atividade e essa é a grande diferença", pontua.

Atualmente, as cooperativas agropecuárias representam 56% da economia agrícola do Paraná. Porém, existem pelo menos outros nove tipos de cooperativas no estado: crédito, saúde, infraestrutura, transporte, trabalho, educacionais, turismo e lazer, consumo e habitacional.

As cooperativas agropecuárias representam, atualmente, 56% da economia agrícola do Paraná.  (Foto: Divulgação/Frísia)
As cooperativas agropecuárias representam, atualmente, 56% da economia agrícola do Paraná. (Foto: Divulgação/Frísia)


O cooperativismo
A necessidade de estruturas simples de compra e de venda da produção marca o início das cooperativas no Brasil, no Paraná e nos Campos Gerais.

As raízes vêm das comunidades de imigrantes europeus, que encontraram no cooperativismo a solução para superar dificuldades econômicas, sociais e culturais. Hoje, o Paraná tem mais de 1,4 milhão de cooperados; cerca de 11 mil deles vivem na região dos Campos Gerais.

O empreendimento cooperativista se diferencia em vários aspectos do sistema mercantil. A cooperativa procura prestar serviços, ou seja, faz com que o associado viabilize sua atividade.
O cooperativismo também distribui a lucratividade; são as chamadas sobras. O cooperado atua como dono da sociedade e participa dos resultados obtidos ao longo do ano.

Em 2016, as cooperativas paranaenses distribuíram mais de R$ 2,8 bilhões em sobras; nos Campos Gerais, foram em torno de R$ 214 milhões em sobras - quantia 21% maior do que no ano anterior.

Elas funcionam como um acréscimo à renda dos participantes e irrigam a economia em diversos municípios.

Atualmente, as cooperativas agropecuárias representam 56% da economia agrícola do Paraná (Foto: Divulgação)
Atualmente, as cooperativas agropecuárias representam 56% da economia agrícola do Paraná (Foto: Divulgação)


As cooperativas também acreditam e defendem valores que são essenciais para o funcionamento do sistema. Por meio da cooperação, os associados procuram construir uma sociedade mais justa, igualitária, solidária e voltada para o bem de todos.

Dentro dos princípios do cooperativismo, as unidades ainda trabalham para integrar cooperados e famílias em atividades educacionais e qualitativas. A atitude busca o desenvolvimento dos 3,5 milhões de pessoas envolvidas direta ou indiretamente com o movimento.

O cooperativismo ainda tem funcionado como indutor do desenvolvimento no Paraná e nos Campos Gerais, com movimentação econômica em torno de 15% de toda a riqueza produzida no estado.

O sistema atua como a empresa econômica mais importante em vários municípios paranaenses. Além dos postos de trabalho e da renda gerada, o empreendimento impulsiona o crescimento social e econômico das regiões de que participa.

Entre as vantagens do movimento, surge o fato de a sociedade não transferir sua sede para outros estados ou países. Mesmo que encontre adversidades no mercado, ela permanece no local de origem e tudo o que é arrecadado é reinvestido nas cidades e nas regiões em que age.

Em 2016, somente em impostos, as cooperativas paranaenses repassaram mais de R$ 1,8 bilhão aos governos federal, estadual e municipal.

 A expressiva participação dos pequenos e médios produtores nos quadros sociais das cooperativas, representando 78% do total, evidencia a importância das cooperativas para essa faixa de produtores (Foto: Celso Junior/Estadão Conteúdo)
A expressiva participação dos pequenos e médios produtores nos quadros sociais das cooperativas, representando 78% do total, evidencia a importância das cooperativas para essa faixa de produtores (Foto: Celso Junior/Estadão Conteúdo)


As cooperativas também difundem novas tecnologias produtivas, conforme explica o presidente da Ocepar. A atitude contribui para o aprimoramento profissional dos cerca de 84 mil funcionários que atuam em seus quadros. Nos Campos Gerais, o número de empregados chega a quase 5 mil.

"Hoje, não tem lugar para amador na agropecuária. Ou o agricultor se moderniza ou não fica na atividade. Não tem como improvisar. E a cooperativa oferece essa oportunidade de modernização", explica.

Ainda neste ano, o sistema cooperativista deve investir R$ 349 milhões em infraestrutura de armazenagem e recebimento, inovação tecnológica e aquisição de máquinas e equipamentos nos Campos Gerais. Para o estado, o investimento deve ser de R$ 2,1 bilhões.

Para Ricken, apesar da crise econômica, a previsão para 2017 é otimista. "Pelos investimentos que já foram realizados, tem tudo para continuar crescendo", acredita.