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27/06/2017 10:13 | Autor: Editor
Fonte: Bem Paraná

Após "guerra", Câmara vota pacote de Greca em 2º turno nesta terça

Pelo menos 24 pessoas ficaram feridas e três foram detidas no confronto entre policiais e manifestantes

Em meio a um cenário de guerra do lado de fora, a Câmara Municipal de Curitiba aprovou nesta segunda-feira (26), em primeira discussão, quatro projetos do pacote de ajuste fiscal proposto pelo prefeito Rafael Greca (PMN), em uma sessão na Ópera de Arame.

A Secretaria de Estado de Segurança Pública (Sesp) disse esperar que não ocorra qualquer incidente entre policiais e manifestantes nesta terça-feira (27), durante a segunda votação dos projetos e pediu para os sindicalistas que queiram se manifestar de forma pacífica que se concentrem na Pedreira Paulo Leminski, conforme combinado em reuniões prévias, com a participação de Ministério Público e Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).

Nesta segunda-feira, enquanto os vereadores aprovavam as propostas em um palco de um dos cartões postais da Capital paranaense, protegidos por um fortíssimo esquema de segurança, policiais militares e manifestantes entravam em confronto nas proximidades, com manifestantes tentando romper as barreiras da PM, que reagiu com golpes de cassetetes, spray de pimenta, balas de borracha e bombas de efeito moral. Segundo a Secretaria de Estado da Segurança Pública, 24 pessoas ficaram feridas – 14 policiais e dez manifestantes – e três foram detidas. Jornalistas que cobriam a votação também relataram agressões por parte dos policiais e também de manifestantes, entre eles o repórter fotográfico do Bem Paraná, Franklin de Freitas.

Enquanto cerca de 3,5 mil pessoas protestavam do lado de fora, dentro da ópera de Arame, apenas 100 servidores foram autorizados a acompanhar a sessão, mesmo assim, separados dos vereadores pela polícia. Visivelmente constrangidos, os vereadores da base do prefeito votaram os projetos sem qualquer discussão, evitando discursos. Segundo o líder da bancada governista, vereador Pier Petruzziello (PTB), a decisão de não discursar para defender as medidas teria sido tomada como estratégia para evitar insuflar ainda mais os ânimos dos manifestantes.

Diante do confronto do lado de fora, a vereadora professora Josete (PT) pediu por diversas vezes para que a sessão fosse suspensa, sem sucesso. “Eu não vou votar com servidores apanhando lá fora”, disse ela, que chegou a abandonar a sessão em protesto, mas retornou novamente. Além dela, também pediram a suspensão da votação os vereadores Goura (PDT), Mestre Pop (PSC) e Noemia Rocha (PMDB). O presidente Serginho do Posto (PSDB) decidiu manter a sessão porque não houve acordo com a base aliada.

Custo

O primeiro projeto aprovado foi o que prevê o aumento de 11% para 14% das contribuições dos servidores para a previdência municipal a partir de 2018 e o saque de R$ 600 milhões do fundo de aposentadoria pela prefeitura, por 25 votos favoráveis, nove contrários e uma abstenção. O segundo, aprovado com 26 votos contra dez, foi o que adia a data-base do reajuste salarial anual do funcionalismo de março para outubro. O projeto que autoriza o leilão de dívidas da prefeitura passou por 27 votos a quatro. A criação da Lei de Responsabilidade Fiscal municipal foi aprovada por 27 votos a dez.

O presidente da Câmara estimou em R$ 80 mil a R$ 100 mil o custo da operação para levar a votação para a Ópera de Arame. “Quanto que vale uma vida? É um custo que a gente tem que avaliar isso”, justificou o tucano.

A decisão de realizar a sessão para o local foi tomada na última sexta-feira, como forma de evitar nova invasão da sede do Legislativo, como aconteceu nas outras duas tentativas de votar o pacote, obrigando a Casa a suspender as votações. Hoje, os vereadores voltam novamente à Ópera de Arame, para a segunda votação dos projetos.

O líder da bancada do prefeito admitiu que foi um dia triste para a cidade e o Legislativo. “Ninguém queria sair da Câmara. Ninguém queria estar votando esses projetos. São medidas duras, um remédio amargo, mas que precisava ser tomado”, comentou Petruzziello.

Sob ocupação, prefeitura decide fechar mais cedo

A prefeitura de Curitiba encerrou o expediente dos funcionários do Palácio 29 de Março, no Centro Cívico, às 14h20 de ontem. Centenas de servidores protestaram na sede do Executivo municipal contra a aprovação do pacote de ajuste fiscal enviado pelo prefeito de Curitiba, Rafael Greca (PMN).
Segundo o Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba (Sismuc), 18 servidores estavam no salão nobre da prefeitura e se recusavam a deixar o local. Outros 20 estão no saguão, no andar térreo do prédio da prefeitura. Eles exigiam serem recebidos pelo prefeito Rafael Greca e só dizem que só deixam o local se houver ordem judicial. A Procuradoria Geral do Município recorreu à Justiça solicitando uma reintegração de posse.
Em assembleia realizada nesta tarde no Parque São Lourenço, servidores municipais aprovaram a continuidade da greve hoje. Os servidores representados pelo Sismuc (Sindicato dos Servidores Municipais de Curitiba) voltam a se reunir hoje para decidir se mantêm o movimento até sexta-feira, para quando está marcada uma greve geral.

Secretaria culpa manifestantes por confrontos

A Secretaria de Estado da Segurança Pública divulgou ontem nota na qual responsabiliza os manifestantes pelos confrontos ontem, durante a votação do pacote de ajuste fiscal do prefeito Rafael Greca (PMN) na Ópera de Arame. De acordo com a Secretaria, os confrontos teriam sido motivados pelo fato dos manifestantes não terem se concentrado no local determinado previamente – que era a Pedreira Paulo Leminski. “Ao invés disso, se aglomeraram na rua e parte deles rompeu a barreira imposta pela PM. As imagens mostram que os manifestantes partiram para cima dos policiais, jogando grades de proteção, pedras e até um extintor de incêndio”, apontou o órgão na nota.

A secretaria confirmou que 24 pessoas ficaram feridas, sendo 10 manifestantes e 14 policiais militares. E que três pessoas foram encaminhadas para hospitais, dois homens com ferimento de bala de borracha na perna e uma mulher com luxação no ombro. Dos 14 PMs feridos, cinco foram levados para o Hospital Evangélico.

Agressões

O caso mais grave teria sido o de um soldado do 23º Batalhão da PM que foi atingido por um paralelepípedo e teve o maxilar fraturado. Ele foi internado e deve ser submetido a uma cirurgia. Um outro policial e uma policial militar também foram feridos no rosto após serem atingidos por pedras. “A Sesp lamenta ainda que alguns jornalistas, no exercício da profissão, também tenham ficado feridos”, afirmou a nota.

Durante a ação, três pessoas foram detidas: Carlos Alberto Lima por desacato e porte de rádio de comunicação sem licença de uso. Ele foi encaminhado para a Polícia Federal. Edmar Teixeira Júnior por portar spray de pimenta e Cláudio Celestino Bottini Scarpetta Júnior por porte de cocaína. Os três foram liberados ainda ontem.

A secretaria negou que bombas tenham sido lançadas de helicópteros da polícia que sobrevoavam as proximidades da Ópera de Arame, como relataram pessoas que participavam da manifestação no local. Segundo o órgão, “em nenhuma circunstância, as aeronaves da polícia são utilizadas para auxiliar em controle de distúrbios civis”. De acordo com a Sespe, “o emprego do helicóptero” ontem teria se limitado a uma “plataforma de observação, eventual socorro médico e para levantamento de informações, como número de manifestantes no local”. A secretaria garantiu que “não é verdadeira a informação que foi jogada bomba do helicóptero”, e que as aeronaves “nunca são equipadas com material explosivo ou bomba de gás”.