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19/04/2017 15:04 | Autor: Editor
Fonte: CGN

Baleia Azul: confirmada tentativa de suicídio ligada ao 'desafio' em Cascavel

Segundo o que foi apurado pela CGN, a jovem teria sido atendida em uma unidade de pronto atendimento...

A Secretaria de Comunicação da prefeitura de Cascavel confirmou, no começo da tarde de hoje, registro de um caso relacionado com o desafio 'Baleia Azul'.

Segundo o que foi apurado pela CGN, a jovem teria sido atendida em uma unidade de pronto atendimento.

A adolescente de 15 anos tentou se matar e também houve um caso de automutilação ligado ao 'jogo.

Uma reunião foi marcada para tratar sobre o caso.

O jogo

O jogo Baleia Azul surgiu em 2015 como “fake news” (notícia falsa) divulgada por um veículo de comunicação estatal da Rússia. O assunto se espalhou em uma histeria coletiva e gerou um contágio, principalmente entre jovens. De acordo com especialistas, o jogo não existia, mas com a grande repercussão da notícia, pode ter passado a existir.

O presidente da Associação Paranaense de Psiquiatria, Osmar Ratzke, ressalta, por outro lado, que os suicídios sempre existiram. “Eu vejo como positivo discutir o assunto. Não adianta a gente colocar a cabeça no buraco como avestruz e dizer que isso é um problema que não existe. Sempre existiu. Um problema muito humano”, afirma.

Ratzke defende a necessidade de se discutir o assunto, embora seja tratado como tabu pela imprensa e espacialistas.

O psiquiatra cita a história da publicação de um romance (Sofrimento do jovem Werther – 1774) do poeta e escritor Johan Wolfgang von Goethe. O tom realístico e perturbador do romance provocou comoção entre os jovens da época, que atraídos pelo espírito passional e depressivo do protagonista da obra, resolveram por fim em suas próprias vidas.

Na psicanálise criou-se um termo chamado Efeito Werther, em referência ao personagem e caracterizado por sua fenomenologia suicida.

“O fenômeno “Werther”, que ocorreu depois da publicação do livro do Goethe – ‘O sofrimento do jovem Werther’ – realmente aconteceu naquela época, na Europa, com a divulgação. Eu, hoje, coloco um pouco em dúvida isso, em termos de que se realmente a gente ficar divulgando (vai causar outros casos). Claro, não podemos falar de casos específicos. Não dá para publicar que fulano de tal tentou suicídio. Isso não se pode fazer. O que a gente pode fazer é divulgar que sete adolescentes foram atendidos em unidades de saúde porque isso vai ser positivo. Vai servir de alerta”, apoia.

O comportamento suicida também teria maior influência quando se tratando de celebridades ou figuras públicas — como já ocorreu, segundo pesquisas, na mesma época, com as mortes da atriz Marilyn Monroe e do músico Kurt Cobain.