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18/04/2017 14:18 | Autor: Editor

Presidente cede a pressão popular e desiste de candidatura a reeleição no Paraguai

O presidente do Paraguai, Horacio Cartes, desistiu de se candidatar à reeleição, a qual promovia com uma reforma constitucional que gerou tensão política e social no país.

A Carta Magna atual proíbe a reeleição no País vizinho

Em um comunicado, Cartes garantiu que não se apresentará "sob circunstância alguma" às próximas eleições gerais de abril de 2018.
No final de março, a tentativa de restabelecer a reeleição deflagrou violentos protestos que deixaram um morto, pelo menos 100 feridos e vários detidos.
O anúncio foi feito antes da chegada, nesta terça-feira, de um enviado do presidente americano, Donald Trump, e, na quinta-feira do secretário-geral da Organização dos Estados Americanos, Luis Almagro.
Segundo analistas, este último pretende interceder para retomar a institucionalidade no Paraguai.
No início de abril, tanto a OEA quanto a embaixada de Washington fizeram um apelo ao diálogo e pediram que qualquer mudança sobre a reeleição seja feita conforme a Constituição em vigor.
A Carta Magna atual proíbe a reeleição consecutiva e alternada.
A tentativa de Horacio Cartes e de seu rival de centro esquerda, o ex-presidente Fernando Lugo, destituído após sofrer um processo de impeachment relâmpago, de restabelecer a reeleição, provocou a invasão e o incêndio do prédio do Congresso em 31 de março passado.
O episódio terminou na morte por parte da Polícia de um ativista do Partido Liberal, de oposição.
Em suas contas no Facebook e no Twitter, Cartes disse que comunicou ao arcebispo de Assunção, monsenhor Edmundo Valenzuela, nesta segunda, que decidiu não lançar sua candidatura no ano que vem.
O monsenhor Valenzuela atuou como moderador na busca de diálogo, que não contou com a participação da oposição majoritária.
Hoje o subsecretário de Estado para Assuntos Hemisféricos dos Estados Unidos, Francisco Palmieri, deve se reunir com o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Velázquez.
É nesta Casa que está um projeto de emenda para restabelecer a reeleição, proibida pela Constituição em vigor desde 1992.
Naquele ano, uma Assembleia Constituinte resolveu proibir a reeleição presidencial para blindar o país das ditaduras, após o regime linha dura de 35 anos do general Alfredo Stroessner.
A oposição alega que a reeleição pode ser resolvida apenas por outra Assembleia Constituinte, e não por meio da aprovação de uma emenda por parte do Congresso.