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17/02/2017 08:56 | Autor: Editor
Fonte: G1

Ex-diretor da Petrobras diz não ter dinheiro para ir a audiência no Paraná

Paulo Roberto Costa deve depor como testemunha de acusação na Lava Jato.
Defesa pediu para que a audiência seja feita no RJ por videoconferência.

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa foi convocado para depor em uma audiência da Lava Jato, em Curitiba. Mas seus advogados dizem que ele não tem dinheiro para pagar as passagens do Rio de Janeiro, onde cumpre pena em regime aberto, para a capital paranaense. A defesa pediu ao juiz Sérgio Moro que a participação seja por videoconferência.
Costa deve depor, no dia 9 de março, como testemunha de acusação em um processo contra o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral que tramita na Justiça Federal do Paraná.
De acordo com a defesa, Costa está em grave dificuldade financeira e com contas ainda bloqueadas.

"Ocorre que o comparecimento do requerente, que muitas vezes já se deslocou até Curitiba, geraria um grande dispêndio em virtude dos altos valores das passagens aéreas, não tendo, o requerente, hoje condições de arcar com essas despesas, em virtude da grave dificuldade econômica em que toda a família se encontra, somando ainda o fato, de suas contas bancárias ainda encontrarem-se bloqueadas", declararam os advogados.

De acordo com o Ministério Público Federal (MPF), o ex-diretor teve que devolver cerca de R$ 79 milhões que estavam em contas no exterior para a Petrobras, além de bens como carros e lancha.

O pedido foi protocolado no sistema eletrônico da Justiça Federal do Paraná na tarde de quarta-feira (15). Até a manhã desta quinta (16), o juiz não tinha se posicionado sobre o assunto.
O ex-diretor da estatal foi condenado em vários processos da Operação Lava Jato por crimes como corrupção, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Investigações

Paulo Roberto Costa foi preso em março de 2014, quando a Operação Lava Jato foi deflagrada. Dias depois, conseguiu um habeas corpus da Justiça, mas voltou a ser preso.

Após dois meses na prisão, decidiu colaborar com as investigações e detalhou como funcionava o esquema.

Foi a partir dos depoimentos dele que os policiais desvendaram como funcionava a distribuição de recursos desviados da Petrobras.

Empreiteiras que mantinham contratos com a estatal superfaturavam os valores dos serviços que prestavam, por meio de contratos aditivos às obras.

Parte dos valores do superfaturamento era usada para pagar propina a diretores da Petrobras e também para abastecer o caixa de partidos políticos, no caso o PT, PMDB e PP.

Costa virou diretor da Petrobras em 2004, por indicação do ex-deputado federal José Janene, que morreu em 2010. Ele permaneceu no cargo até 2012, quando pediu demissão e abriu uma empresa de consultoria.

Janene foi eleito pelo PP do Paraná e também esteve envolvido no escândalo do mensalão. Como revelaria mais tarde o doleiro Alberto Youssef, partiu de Janene a ideia de usar a estrutura da Petrobras para arrecadar dinheiro para pagar a base aliada do governo na Câmara dos Deputados e no Senado, em troca da aprovação de projetos estratégicos para o governo federal.