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06/02/2017 14:24 | Autor: Editor

Em um ano, deputados paranaenses gastaram 19 milhões de reais com cota

Em 2016, os deputados estaduais gastaram 19 milhões e 300 mil reais da chamada “verba de ressarcimento” a que têm direito para despesas com a atividade parlamentar.

Além dos salários, eles gozam de muitas mordomias

O valor é equivalente a 96% do teto da cota anual total a que os 54 deputados têm direito, de 20 milhões e 300 mil reais.
O maior gasto foi com combustíveis – 2 milhões e 980 mil reais – o suficiente para a aquisição de 879.229 litros de gasolina.
Considerando o preço médio da gasolina nos postos de Curitiba e o consumo de um veículo de porte médio, essa quantidade de combustível seria o suficiente para percorrer mais de 11 milhões de quilômetros, ou 285 voltas na Terra.
Além do salário de 25 mil e 300 reais e de 78 mil e 500 reais para pagar assessores, cada um dos 54 deputados tem direito a uma verba de 31 mil e 470 reais para despesas com transporte, combustível, telefone, correspondência, alimentação, e outros gastos do mandato.
No ano passado, o segundo maior gasto foi com a contratação de “serviços técnicos profissionais” - 2 milhões, 860 mil e 968 reais – seguido de 2 milhões, 239 mil e 527 reais com a locação de veículos.
Por lei, a Assembleia tem direito a 3,1% da receita líquida do Estado ao ano: em 2016, o Orçamento da Casa era de 657 milhões de reais.
Os gastos ficaram em R$ 374 milhões e os deputados “devolveram” ao Tesouro do Estado 245 milhões de reais, ou 44% do total.
Para 2017, o Orçamento previsto é de 560 milhões de reais.
Em junho do ano passado, o presidente da Assembleia, deputado Ademar Traiano, chegou a afirmar que a direção da Casa estava estudando aumentar o valor da verba de ressarcimento.
Na época, ele alegou que o montante estava defasado, por estar congelado desde 2012, e que a Câmara Federal já havia aumentado em 24% as verbas destinadas aos gastos dos deputados federais.
Três dias depois de anunciar a ideia, o presidente da Assembleia recuou e desistiu do aumento depois que tanto o líder da bancada do governo, Luiz Cláudio Romanelli, quanto o da oposição, Requião Filho, se declararam contrários à medida, afirmando que em um momento de crise, quando se pedia que a população os servidores públicos fizessem sacrifícios, não haveria clima para reajustar a verba.
Na ocasião, Traiano reclamou que alguns deputados defendiam o aumento, nos bastidores, mas publicamente, na imprensa, diziam ser contra por temer a repercussão junto à opinião pública.