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12/03/2015 12:22 | Autor: Editor
Fonte: G1

Ansiosos, alunos da rede estadual de ensino começam ano letivo no Paraná

Professores e profissionais da educação ficaram em greve por 29 dias.
Calendário prevê aulas até 23 de dezembro; férias de julho serão menores.


A volta às aulas dos alunos da rede estadual de ensino, que estava em greve, deixou os adolescentes ansiosos. Afinal, esta quinta-feira (12) é o primeiro dia letivo. Em todo o estado, são mais de 1.160 mil alunos que esperaram um mês para retornar às salas de aula. O ano é novo, mas a rotina é conhecida.
No Colégio Estadual do Paraná, em Curitiba, onde a aula começou às 7h, funcionários recepcionaram os jovens, chamando atenção."Vamos entrar logo, galera. Vocês estão atrasados", alertava Luis Alfredo Gomes que trabalha há 15 anos no colégio.

Logo na entrada, os alunos se cumprimentavam e conversavam na tentativa de colocar o papo em dia. A saudade dos colegas era tanta que Thiago Silvestre, de 17 anos, foi cedo para a frente do colégio, mesmo estudando apenas no período da tarde.
“Eu estava muito ansioso, principalmente, para ver os amigos de volta. De um lado foi bom porque eu estava trabalhando, então, de tarde, eu estava descansando um tempo. O problema é o atraso das aulas, vai ser ruim ficar até dezembro”, avaliou.

Victor Martins, de 14 anos, ajudou a mãe na padaria da família durante o período de greve (Foto: Adraina Justi/ G1)
Victor Martins, de 14 anos, ajudou a mãe na
padaria da família durante o período de greve
(Foto: Adriana Justi/ G1)

Após a paralisação, foi necessário estabelecer um novo calendário. Em julho, haverá um recesso de apenas uma semana, entre os dias 13 e 17, e o ano letivo vai encerrar apenas no dia 23 de dezembro.

O objetivo da reformulação, segundo o governo, é garantir que sejam cumpridos os 200 dias letivos obrigatórios.

Já no Colégio Guido Straube, as aulas começaram um pouco mais tarde, às 7h30. Conforme a direção, 70% dos alunos compareceram nesta quinta-feira.

Victor Mildemberger Martins, de 14 anos, está no primeiro ano do Ensino Médio e contou que, antes do início da aula, a professora deu uma breve explicação sobre a greve. No tempo livre, ele ajudou a mãe, que tem uma padaria.“Estava com muita vontade de voltar porque os prejudicados seríamos nós, que teríamos que repor muita aula nas férias”, disse.
Estrutura
Quando os professores e outros profissionais da educação do Paraná decidiram suspender o movimento grevista, a categoria teve dois dias para organizar a escola. Este tempo, entretanto, não foi suficiente para o Colégio Guido Straube.

Conforme a diretora Rosália de Mello, a estrutura não está 100% adequada para receber os alunos. "Nós estamos com dois professores a menos. Não tinha orçamento para contratá-los. E nós também estamos com desfalque de seis profissionais da limpeza e 60 horas de profissionais para o administrativo", explica a diretora.

Com falta de funcionários, merendeira do colégio Guido Straube também precisa fazer limpeza (Foto: Adriana Justi/ G1)
Com falta de funcionários, merendeira do Colégio
Guido Straube também precisa fazer limpeza
(Foto: Adriana Justi/ G1)

Segundo ela, com quadro reduzido, os demais profissionais tiveram que improvisar. A merendeira, por exemplo, também faz os serviços de limpeza.

"Isso não é o correto, mas a gente tem que dar um jeito, né?", indagou Rosália. "A situação está bem complicada aqui", acrescentou.

A merendeira Eliane Regina Francisco não acha justo o acúmulo de função, mas disse que acaba fazendo tudo pelo amor aos alunos.

"Eu acabo colaborando com as minhas colegas da limpeza, mas tudo por causa dos nossos alunos. Eu estou ciente de que isso não é o correto e que o governo está devendo pra nós, mas a vida continua, as crianças precisam estudar", relatou.

A greve
A greve teve início no dia 9 de fevereiro e atingiu mais de 950 mil alunos, que deveriam ter iniciado os estudos naquele dia. O movimento se encerrou após uma assembleia, com milhares de educadores no Estádio da Vila Capanema.
Durante os 29 dias de greve, os educadores ficaram acampados em frente à Assembleia Legislativa do Paraná (Alep) e fizeram vários protestos.

No dia 10 de fevereiro eles chegaram a invadir o Plenário da Casa, diante da tentativa dos Governo do Paraná e dos deputados estaduais de aprovar o chamado 'pacotaço', via Comissão Geral.

Na quarta-feira (4), após assembleia que decidiu pela continuidade da greve, cerca de 20 mil docentes marcharam rumo à Alep.
No mesmo dia, o Tribunal de Justiça do Paraná (TJ-PR) determinou a volta imediata dos professores e funcionários das escolas públicas estaduais ao trabalho. O sindicato foi notificado oficialmente sobre a decisão na sexta-feira (6).


Trânsito começou a aumentar por volta das 6h30 (Foto: Adtriana Justi / G1)Trânsito começou a aumentar por volta das 6h30 (Foto: Adtriana Justi / G1)
Milhares de alunos retornam às aulas nesta quinta-feira no Paraná  (Foto: Adriana Justi / G1)Milhares de alunos retornam às aulas nesta quinta-feira no Paraná (Foto: Adriana Justi / G1)
Em um Colégio de Curitiba, merendeira também faz trabalho de limpeza por causa da falta de funcionários  (Foto: Adriana Justi / G1)Em um Colégio de Curitiba, merendeira também faz trabalho de limpeza por causa da falta de funcionários (Foto: Adriana Justi / G1)